ENFRENTANDO O CÂNCER DE MAMA COM BOM HUMOR

O câncer ainda é uma doença que assusta, mas é preciso vê-lo como uma oportunidade de fazer mudanças na vida. A morte é certa para todos, porém o momento é incerto. Uma pessoa com câncer pode sobreviver a outras saudáveis que de repente são surpreendidas com um A.V.C, um ataque cardíaco, um tiro de revolver, um acidente…como infelizmente, eu pude vivenciar durante meu tratamento.

Quando descobri o câncer não pensei “por que comigo?” Mas pensei: “por que só com os outros, né ?”

Não pensei: “o que eu fiz de errado pra merecer isso?” Mas pensei: “tudo concorre para o bem daqueles que amam a Deus” .

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HERMETICAMENTE FECHADA

Esta foi a sensação que eu senti dentro da câmara hiperbárica: fechada à vácuo…kkkk.

A enfermeira colocou em meu nariz uma máscara de oxigênio com um reservatório, uma pulseirinha no meu braço (ainda não sei porquê), e disse sorrindo: vamos iniciar?

Eu queria ter filmado a minha cara dizendo sim…kkkk

Ela empurrou a maca para dentro da câmara e fechou aquela tampa espessa, que fecha hermeticamente.

Bem na direção do meu nariz havia a sinalização em vermelho com uma seta e os dizeres: “se precisar chame aqui”. Nossa, será que eu ia precisar? kkkk.    

Ela apertou uns botões e o reservatório da máscara começou a encher-se de ar (o oxigênio 100%) e, mais ar e uma pressão (20 vezes maior que ao nível do mar) também passaram a entrar na câmara. O barulho interno é parecido com o que se ouve dentro de um avião, só que como o lugar é menor e mais fechadinho, o barulho fica bem mais alto. Num primeiro instante fiquei meio tensa com tudo aquilo. Se eu passasse mal, até ela tirar aquela pressão e abrir aquela tampa…. kkkk. Era melhor nem pensar em passar mal.

Os ouvidos taparam e eu engoli forte e eles destaparam. Seria assim o tempo todo. Bem que eles poderiam deixar a gente mascar chicletes, né….kkkk.

Comecei um diálogo comigo mesma: – putz, fazer 10 sessões disso, todo os dias, por uma hora, não vai ser nada fácil ….. – Bom, mas é melhor do que voltar pro centro cirúrgico. – É, o negócio é enfrentar “de boa”… kkkk

Como poderia deixar aquilo mais agradável? Eu poderia assistir à TV ou dormir. Mas, assistir à TV por mímica era difícil e dormir com aquele barulhão, impossível…

Decidi simplesmente fechar os olhos e rezar, seguindo a orientação dos cinco dedos do Papa Francisco

E tem sido bem agradável este momento. O tempo passa rapidinho e às vezes eu paro muito tempo em algum dedo e nem dá tempo de chegar no mindinho….kkkk

É aquela máxima: se a vida te der limões, faça uma bela caipirinha…kkkk   

NADA DE VAIDADE

E lá fui eu fazer a tal “Câmara Hiperbárica”.

Tinha recebido as seguintes orientações: durante o tratamento, nada de café ou cafeína, nada de maquiagem; nada de creme no rosto, corpo ou cabelo; nada de esmalte nas unhas; roupa 100% algodão ou 100% linho, sem botão, zíper ou velcro e, nada de joias ou bijouterias.

Gente, como assim? Eu não saía do quarto sem pelo menos passar o creme antirrugas, lápis no olho, um batom e um creme para ajeitar o cabelo.  Em seguida, um delicioso café preto. Toda semana, um novo esmalte nas unhas…..kkkk. Seria melhor ir direto pro centro cirúrgico, então? Kkkkk

E roupa 100% algodão ou linho, sem botão, zíper ou velcro. Gente, não existe. Olhei todas as roupas que pensava ser de algodão ou linho e não eram 100%. Fui salva pela minha mãe que comprou o tecido e me fez um vestido longo.  

Bom, eu já havia concluído desde o surgimento do câncer de mama de que Deus queria me libertar de vários pecados, dentre eles, o pecado da vaidade….kkkk e isso estava ficando cada dia mais evidente….kkkk. Durante a quimio foi difícil ficar careca, perder os cílios e a sobrancelhas, mas eu dava um jeito: peruca e maguiagem e sempre bem vestida….kkkk. Mas agora….nem de roupa eu iria trocar….kkkk     

Mas seriam só 10 sessões, apenas duas semanas. Passaria rápido. Afff!!! Torci para não receber visitas neste período…kkkk

Quando cheguei à sala de oxigenoterapia lembrei do filme “Passageiros”, em que as pessoas ficam congeladas por 120 anos dentro de uma câmara com destino a uma colônia no espaço chamada Homestead…kkkk. Verdade, um ambiente escuro, com várias cabines …. parecia coisa de Nasa, espaçonave…….kkkk.

A atendente veio me explicar como seria: – você vai respirar oxigênio puro (100%), e haverá uma pressão 2 a 3 vezes a pressão atmosférica ao nível do mar no interior da cabine que provocará o aumento na quantidade de oxigênio transportado pelo sangue, na ordem de 20 vezes o volume que circula em indivíduos que estão respirando ar ao nível do mar. Nestas condições, o oxigênio combaterá infecções bacterianas e por fungos, acelerará o metabolismo, ativando células relacionadas com a cicatrização de feridas. Alguma dúvida?

– Não ……kkkkk

E ela continuou: – você sentirá apenas os ouvidos taparem como quando você desce para a serra. Daí é só bocejar. Ah! Você pode dormir ou ficar assistindo à TV. O barulho dentro da câmara é alto então você decide se quer que ligue ou não o som da TV. Qualquer coisa, é só bater no vidro que a gente te socorre.

Vocês conseguem imaginar a minha cara após esta linda explicação….kkkk

Depois eu conto como foi.

GUERRA CIVIL

Continuando o post “Mamas contrariadas”, dos 10 novos pontos dados na mama esquerda, 4 deles resolveram manter a guerra civil; percebia-se nitidamente o líder da rebelião que era o ponto que abriu de forma maior que os outros exatamente no mesmo lugar em que tivera necrose. O cirurgião disse que era preocupante porque a prótese poderia encontrar um caminho por estes pontos e a sua extrusão (saída da prótese) poderia ocorrer. E agora? Quem poderia me defender? O Chapolin Colorado? Kkkk

O cirurgião, com um ar de preocupação, me pergunta:

– Você é claustrofóbica?  Tem medo de ficar num lugar pequeno e fechado?

Respondi com outra pergunta:

– Por que? Você vai me enfiar numa caixa para que eu não me mexa? Mas eu tô quietinha, eu estou fazendo repouso direitinho…kkkk.

Ele respondeu:

– Porque eu vou te indicar 10 sessões de Câmara Hiperbárica. Se não resolver, teremos que voltar ao centro cirúrgico.

Eu nunca tinha ouvido falar sobre isso !!!. Éh…vivendo e aprendendo, né…kkkk

Tratava-se de uma câmara hermeticamente fechada em que eu receberia oxigênio puro (100%) e isso aumentaria em 20 vezes mais o transporte de oxigênio no sangue e aceleraria a cicatrização cirúrgica.

Agarrei-me a essa oportunidade como fazia aquele antigo brinquedo “agarradinho”…kkkk. As antigas brincadeiras de esconde-esconde quando criança com meu irmão e primas em que eu me escondia dentro de guardas roupas, caixotes e coisas do tipo me ajudariam a ficar dentro dessa câmara….kkkk

Falei muito sério com a mama esquerda: a teimosa, rebelde, vingativa, contrariada, birrenta e, fui incisiva: “dessa vez, vamos parar de graça, porque se eu tiver que voltar ao centro cirúrgico, você vai ficar sem nada”.

Talvez fosse isso que ela queria, mas eu tentei ….kkkk

E o “nadismo” permanecia. Mas, havia algo de positivo nisso: fazer com que marido e filho percebessem que não era pouca coisa que eu tinha pra fazer dentro de casa, além de trabalhar fora. Meu marido não sabia nem como ligar a máquina de lavar roupa…. coitado….kkkk

Depois eu conto sobre essa nova experiência.

MAMAS CONTRARIADAS

Continuando o post “Depois que passa a gente ri…”, descartada qualquer coisa séria com minha cabeça, era hora de eu me preocupar com os pontos cirúrgicos que não queriam fechar.

A mama esquerda foi a primeira a se rebelar ! Eu até entendo a coitada: passou pelo câncer, pela quimioterapia, mastectomia radical, colocação do expansor, por seroma, por necrose, pela radioterapia, por radiodermite e  pelo encapsulamento do expansor. Agora vinha uma nova prótese de silicone…sim, ela ficou bem contrariada e tentou expulsar a novidade. Tive “DEISCÊNCIA” – nome chique para “os fio da mãe dos pontos começaram a abrir” – iniciou com um pequeno ponto aberto no mesmo lugar em que tivera necrose e, esperava-se que fosse fechar sozinho, mas foi aumentando.

Seria minha culpa?

Eu procurei fazer o repouso da melhor forma possível, pois já havia passado por todos os problemas descritos acima, mas,  na primeira semana após a cirurgia eu não conseguia dormir direito e, por dor nas costas, saía da cama (com o marido me ajudando a levantar, é claro) e ia pro sofá, onde deitava por cima das almofadas e aquilo aliviava um pouco as dores nas costas. Na primeira semana fiz isso umas 3 vezes por noite. Talvez eu tenha me movimentado demais? Não bastasse, numa dessas noites, ainda com o dreno, eu nem havia tirado os curativos ainda, acordei do sofá meio abobada e pisei no fio do dreno que se desencaixou e eu levei o maior susto. Putz!!!

E a danada da mama esquerda tentou convencer a mama direita a fazer o mesmo. A mama direita que passou pela mastopexia estava “toda toda” com a nova prótese de silicone, olhando de cima agora, mas não é que foi influenciada? Começou a aparecer SEROMAS, uma hora aqui, outra hora ali e uma hora em cinco pontos. Fala sério!!! Eu tinha trauma de seroma. (veja o Post “ Punção de seroma e corte da necrose”).

O cirurgião deu 10 novos pontos na mama esquerda e espremeu a mama direita como se apertasse o bagaço da laranja para extrair o suco e eliminou o máximo possível do seroma. Pensei que a prótese da mama direita fosse sair…..kkkk. Antes assim, do que a punção aspirativa do seroma com seringa.

Mais 7 dias de antibióticos e, o repouso que já havia sido liberado parcialmente, teve que ser retomado do “zero”: nada de lavar a louça, nada de cozinhar, nada de lavar roupas, nada de limpar a casa, nada de lavar os cabelos, nada de digitar, nada de dirigir, enfim, +1 tempinho de “NADISMO” –  televisão e livros. 

Havia algo preocupante: se os pontos da mama esquerda voltassem a abrir, o cirurgião não poderia dar outros novos pontos, pois corria-se o risco de rasgar a frágil pele da mama esquerda. E adivinhem o que aconteceu….?

DEPOIS QUE PASSA….A GENTE RI

Continuando o post “Quando você faz tudo errado”, confiei no médico que havia me atendido no Pronto Socorro e passei a ter como minha companheira inseparável no sofá, a garrafinha de água que tomava aos poucos. Estabeleci até um mecanismo: se estivesse assistindo a algum programa na TV, a cada comercial, um gole d’água; se estivesse lendo um livro, a cada fim de capítulo, um gole d’água e, não fazia nada mais que isso: TV e livro + comer e dormir + banho e curativo com ajuda do marido. Oh, vidão….kkkk.

Nos intervalos, melância, água de côco, suco de laranja com couve e gengibre, melão, yogurt…etc

Bem, a dor de cabeça foi se modificando. Os grilos continuavam a criquilar, mas em número menor. Devem ter morrido afogados ….kkkkk. Mas, agora, parecia que eu tinha um bicho na cabeça, só no lado esquerdo, que ficava andando e vez ou outra mordia ou beliscava um pedaço do meu cérebro…kkkk. E cada vez que isso acontecia a febre voltava. Tomava analgésico e tudo passava. E dá-lhe água.

Fiquei assim por mais 2 dias, com 3 picos de dor e febre (manhã, tarde e noite).

De repente algumas dúvidas passaram a surgir:

– e se fosse um bicho mesmo na minha cabeça? Lembrei de uma prima que teve aquela doença do porco – Teniase – e o parasita Taenia foi para o cérebro dela e ela sentia muita dor de cabeça. Eu tinha comido muito, mas muito “prosciutto crudo” na Itália, que é um presunto defumado, envelhecido e temperado, com um sabor que não existe em outro lugar do mundo e quando chego lá é a primeira coisa que procuro comer.  Seria eu de novo me lascando pelo pecado da gula? (veja o post “Dieta Alcalina às favas” e “Primeiro retorno ao médico após as férias”)

– Quanto tempo, após comer uma carne contaminada, o parasita levaria pra chegar ao cérebro? O google respondeu que o danado poderia chegar ao cérebro em 3 dias após a ingestão. Ah! Ele já estaria lá então.

– E se fosse o tal parasita, como poderia descobrir?  O google respondeu que através de uma tomografia era possível ver o tal bicho.

– E se a febre não chegava a 38,5 porque eu, por não suportar a dor da cabeça tomava o analgésico e, claro, abaixava a febre….?

Conclusão: quando a dor e a febre voltou, fui ao Pronto Socorro pra pedir a tomagrafia.

Na triagem, o mesmo quadro anterior: pressão alta, taquicardia e estado febril de 37,5 graus.Na hora do atendimento, adivinha? O mesmo otorrino….kkkk (queria que fosse um outro). Ele olhou pra mim e pro prontuário e perguntou:

 – porque você voltou? A febre não está acima de 38,5. Está se hidratando? A dor de cabeça não melhorou?   

– então, Doutor, a dor de cabeça está muito forte ainda e muito estranha e eu acho que a febre não chega a 38,5 porque eu tomo o analgésico e ela abaixa.

– o que você quer fazer? Tomar medicação pra dor na veia?

– não, Doutor, eu já tomei analgésico em casa e já está melhorando. Mas, eu quero fazer uma tomografia da minha cabeça.

– Por que? É desnecessário. Você acabou de fazer uma cirurgia. Está em fase de fechamento dos pontos ainda, por que se expor a uma radiação sem precisar?

– porque eu preciso ter certeza que não tem nada na minha cabeça (eu não tive coragem de falar do suposto verme do porco…kkk). E, apelei: – Doutor, o senhor já teve câncer? A gente fica cismada com tudo.

Pra minha vergonha, ele respondeu: – já tive câncer, sim. Tenho 1/3 de um rim e isso já faz 14 anos e posso dizer pra você que ansiedade não ajuda nem um pouco.

Ai que vergonha que passei…..kkkk

Ele continuou: – mas se você faz tanta questão…posso pedir.

Respondi: – por favor, Doutor, eu faço muita questão.

Fiz a tomografia. Fiquei 2 horas esperando o resultado e claro, não tinha nada.

Ele olhou pra mim com aquela cara de quem diz: não te disse, não te disse? Kkkk, mas, muito gentil, disse: – agora você procure se preocupar com o fechamento dos seus pontos, ok?

Do dia seguinte em diante, não tive mais nada, nem dor de cabeça e nem febre. Santa tomografia, santa bronca e santa vergonha….kkkk!!!

Mas, uma outra novela estava se iniciando. Depois eu conto.     

QUANDO VOCÊ FAZ TUDO ERRADO…

No Pronto Socorro, além do estado febril, detectaram taquicardia e pressão alta: 14×10. Levei o maior susto: minha pressão normal sempre foi baixa: 9x alguma coisa. Pensei comigo: acho que é um A.V.C.

Tive sorte: o médico que me atendeu era otorrino. Disse que os 7 dias dos antibióticos teriam sido suficientes para a sinusite aguda.

Outro susto: não tinha nada no meu ouvido esquerdo. Putz!!!

Exame de sangue e de urina normal. Nenhum sinal de infecção.

Diagnóstico: CEFÁLEIA TENSIONAL

Segundo ele, eu não tinha descansado bem para a cirurgia e depois da cirurgia foi pior ainda. A pressão alta era por causa da forte dor de cabeça.

Ele tinha razão:

– durante o vôo de volta, fiquei apreensiva. O cirurgião havia recomendado uma injeção na barriga contra trombose 2 horas antes de embarcar e o uso da meia antitrombose na ida e na volta. Pois bem, na volta me esqueci da meia. Se eu já não conseguia dormir no avião por causa do aperto, imagina preocupada com o pé que inchou, é claro.  

– Cheguei da viagem dia 07.01.19 e ciente de que depois da cirurgia eu não poderia fazer nada com as mãos por pelo menos 15 dias, o que fiz? Não dormi, é claro, desmontei a casa dos enfeites de natal, desfiz as malas, lavei toda roupa possível, fiz a mala da internação e fui pra cama à meia noite.

– dia 08.01.19 me internei às 5 da manhã em jejum já de 8h, indo pro centro cirúrgico por volta das 11h; a intervenção durou um pouco mais de 5 horas.

– depois da cirurgia não conseguia dormir direito por causa da posição “só de costas”…. enfim…. estava praticamente 9 dias sem dormir direito. O cirurgião até receitou um remédio pra dormir, mas eu estava tão agitada que dormia apenas 3h e acordava com dor nas costas. O cirurgião até deu remédio pra dor nas costas, mas o efeito também durava pouco e lá vinha ela novamente.

Uma única pequena alteração no exame de sangue indicava: DESIDRATAÇÃO, e isso também justificava todos os demais sintomas como estado febril, caibras, zumbido nos ouvidos…

Realmente, ficava grogue o dia todo e só cochilava; não tinha fome, comia “na marra”, tinha mais remédio no organismo do que água e comida (um total de sete medicamentos mais ou menos de 6 em 6h).

Recomendou-me ficar com garrafinha de água do meu lado e tomar no mínimo 1,5 litros de água aos poucos, mais frutas hidratantes e analgésico comum pra dor. Disse que passaria.

Se a febre passasse de 38,5 eu deveria retornar e fazer exames complementares, como uma tomografia.

No próximo post conto sobre o retorno ao PRONTO SOCORRO.

QUANDO É PRA DAR ERRADO…

Pois é, no último post (A BRIGA), reclamava do calor que estava passando no pós cirúrgico de reconstrução de mama (2ª. etapa) e não é que a coisa foi ficando séria!!!

 

Uma semana após a cirurgia, a dor de cabeça parecia ter virado dor de ouvido e foi aumentando.  Uma serenata de grilos se instalou na minha cabeça e quanto maior a dor, mais alto eles cantavam e num tom bem agudo e afinadíssimos….kkkk

Eu dizia pro meu marido: “parece que tem um homem enfiando uma faca no ouvido esquerdo, bem devagar, até chegar no meio do cérebro”.

Por quê um homem? Porque uma mulher não teria tanta força…kkkkk.

Depois comecei a sentir caibrãs no pé esquerdo e mão esquerda.

Pensava: Por que só o lado esquerdo? Bom, melhor do que os dois lados, né! kkkk

Um estado febril se iniciou: 37,3 graus. Ai, meu Deus !!!!

ERA DIA DE RETORNO AO CIRURGIÃO

Os pontos não mostravam sinal de infecção, apesar de um ponto no seio esquerdo estar um pouco aberto, mas recomendou-me ir ao pronto socorro urgente para investigar a causa do estado febril.

UMA DÚVIDA CRUEL

Um mês antes da cirurgia havia sido diagnosticada com sinusite crônica (leia o post: alta tensão). O otorrino havia recomendado 14 dias de antibiótico sem interrupção. Caso contrário, a sinusite poderia voltar pior.

Aconteceu que 17 dias antes da cirurgia eu fui visitar minha família do outro lado do mundo, porque, afinal de contas, cirurgia é cirurgia e eu me sentiria mais tranquila se os visse antes.  

Coloquei os antibióticos na mala, para não correr o risco de ter que passá-los pela esteira e ficar dando explicações sobre os medicamentos. E não é que as danadas das malas se extraviaram e só resolveram aparecer após 5 dias. “Fias da mãe”. Eu tinha tomado os antibióticos por 7 dias. Considerei que se eu voltasse a tomar depois da interrupção seria pior, o organismo criaria resistência, e afinal,  estava bem e continuei bem.

Já tinha viajado tantas vezes e nunca tinha passado por isso. Terrível. Pior que ficar sem os antibióticos foi ficar sem os meus cremes antirrugas por tanto tempo….kkkk.

Seria a sinusite crônica voltando com tudo?

No próximo post eu conto.